Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009
O que significa "património"?

O que significa "património"?

 

"Património" significa "herança paterna", ou por outro lado, "propriedade". No contexto da História, será uma propriedade que é de todos nós, e que em sucessivas gerações é deixado de herança pelas anteriores. Desta forma é algo que nos une, pela sua história, por aquilo que significa, até pela sua beleza subjectiva, e que deveria antes que tudo, ser salvaguardado. Enfim, poder-se-ia aqui a continuar a tentar explicar, mas o barqueiro talvez não seja o mais indicado, e pensa que todas as pessoas sabem o que é o Património Histórico... O que muitas não sabem é o que ele representa, e infelizmente, no nosso país, esse desconhecimento parte logo desde aqueles que detêm o poder político.

Num contexto concelhio, Ponte Medieval, Ponte Romana do Rio Vade e Mosteiro e Torre de Vila Nova de Muía representam as maiores vergonhas daquilo que é o desprezo pelo património das entidades que detêm o poder. Todos eles são Monumentos Nacionais classificados pelo antigo IPAAR, ou actual IGESPAR.

O que se passou recentemente com a Ponte Medieval da vila foi a última grande prova do desprezo pelo património. Uma das imagens de marca da vila de Ponte da Barca para o resto do país, e para os turistas que nos visitam, ruiu. Felizmente não foi nada que pusesse em causa a solidez estrutural da ponte, ou seja, nada que a ponha em risco de vir abaixo. E se fosse? É que esta ponte encontrava-se sinalizada para necessidade de reparação desde 2002 após vistoria de centenas de pontes em Portugal realizadas pela Estradas de Portugal! Enfim, é este o pobre país que o português se vai habituando a ter. As instituições não funcionam, ou pelo menos têm um funcionamento anormalmente lento. Porquê esperar quase 7 anos para se anunciarem as obras de requalificação? A triste reposta é que foi preciso esperar que a ponte ruísse. No meio de tudo isto, o cidadão assiste na imprensa nacional a declarações do vereador da Protecção Civil, José Pontes, dizendo que a Estradas de Portugal foi lenta no processo de reabilitação da estrutura, e que as obras já estavam previstas para Março ou Abril. Façamos um esforço e acreditemos que tudo não passou de coincidência... Por outro lado a Estradas de Portugal diz que as obras de reabilitação irão começar antes do próximo Inverno, e que a reparação da parte que desabou se faria em 3 ou 4 semanas. Aliás a garantia da reparação começar de imediato e levar 3 ou 4 semanas foi de José Pontes. Infelizmente, os cálculos parecem estar errados... No fim de tudo isto, não seria sensato remodelar toda a ponte e fechá-la à circulação automóvel, como no vizinho concelho de Ponte de Lima?  Aproveitemos o que de mais rico temos para o turismo. E não é só o barqueiro que o diz: são dezenas de pessoas de todo o país que se manifestaram nos espaços de opinião online dos jornais nacionais. Afinal trata-se de algo com cerca de 500 anos...

 

 

E a Ponte Romana do Vade? Sim! O que é feito dela? É que caiu num esquecimento preocupante! O anterior executivo tratou do seu encerramento, fez uns remendos em cimento, imagine-se, e assim ficou ao abandono, sem a beneficiação que estava prevista. Quando o novo executivo estava de chagada, tudo se iria fazer, e ainda nada se fez... e ainda pior, caiu em total esquecimento!  A forma como se "enterra" vestígios únicos de há quase 2000 anos é assustadora.

E que dizer do conjunto do Mosteiro e Torre de Vila Nova de Muía? Ruína é o estado em que a Torre contigua ao Mosteiro se encontra, e já há muito! É que para além de manutenção necessária no Mosteiro, a Torre está a cair. A aparente descontracção dos responsáveis tem sido também ela assustadora e preocupante. Em recente entrevista ao "O Povo da Barca", o presidente de junta da freguesia, Abílio Silva, mostrou pelo menos estar atento. E as restantes partes? Nada se ouve e nada se tem ouvido. Deveria haver um esforço conjunto de presidente de junta, presidente de Câmara, o proprietário privado da Torre e do IGESPAR... isso nunca se viu. Os políticos mostram sofrer da habitual "cegueira", e o privado que detém a Torre Medieval tem mostrado sofrer de falta de bom censo. Afinal, o empresário da vila de apelido Lopes não deveria pensar melhor naquilo que tem nas mãos? É que de gente que "não ata nem desata" já estamos bem cheios, infelizmente. O barqueiro é da opinião de que os possuidores de património histórico façam o correcto uso deles, e se esse não é feito, então que impere sobretudo a consciência do privado e do poder político, para que a se ponha o superior interesse do património, que é do interesse de todos, em cima da mesa.

 

 

Para que actos como o de colocar condutas e tampas de saneamento em vias romanas, como em anterior executivo, sejam apenas uma triste história pertencente ao passado...

 


sinto-me:

talhado por o barqueiro às 23:11
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4 comentários:
De pelouro a 3 de Março de 2009 às 20:44
Esse engenheiro Jose Pontes , será que é capaz de desempenhar de forma responsável o cargo que ocupa?????

Da fama de" vira vinho" não se livra.....


De Andreia a 6 de Março de 2009 às 19:24
Este blog é o máximo! Quero conhecer o autor disto. É das melhores coisinhas que existe em ponte da barca. O pormenor do Sr. Azevedo acerca do aeroporto de Bragança e a ponte em Lavradas está espectacular.


De josé Codeas a 6 de Março de 2009 às 19:28
Tens razão pelouro. Quem é esse panasca do José Pontes? Manda na vila é? Foi esse gajo que disse a uma funcionária da camara que não era promovida porque os familiares dela não eram da mesma cor dos dele. Paneleiro. Queria dois murros no focinho


De pelouro a 7 de Março de 2009 às 20:53
A ponte reabriu ao público???? Então nós, não temos um "Pontes" na vice presidencia da Câmara. Está tudo dito! Ó pessoal, o homem é grande, é forte..., alimenta-se bem.... e aguenta bem a panada, se a ponte, por ventura cair...


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