Domingo, 24 de Maio de 2009
Diácono de Lindoso ajoelha-se a Deus

Diácono de Lindoso ajoelha-se a Deus

 

Depois de outras ordenações de padres do nosso concelho, também aqui comentadas no blog, o barqueiro vem mais uma vez tocar no assunto da situação da Igreja Católica e da política, aliadas desde o nascimento de Portugal, oficial durante o Estado Novo e evidente, ainda que não oficial, no tempo em que vivemos.

O diácono Orlando Carreira, da freguesia de Lindoso, foi ordenado. Logo a população se juntou em torno de tal acontecimento. Em Portugal, a herança religiosa ainda é muito pesada, sendo disso prova os festins que nas freguesias mais do interior se organizam quando um padre é ordenado. O barqueiro não quer com isto dizer que as tradições devam acabar. É no entanto um hábito ou tradição desfasada do tempo actual. Durante a História portuguesa, o padre era o símbolo da população, da sua paróquia. Além das funções religiosas, era muito mais que isso. Era um conselheiro, era aquele que mais e melhor conhecia as pessoas da aldeia. Infelizmente, durante o Estado Novo, era também, pelo menos em alguns casos, o símbolo da opressão, da falta de independência e em última análise, o símbolo da ausência do sentido crítico e intelectual de cada cidadão, como aliás são os fundamentos da Igreja Católica. A razão é o maior inimigo da religião. A Igreja, e as religiões em geral, tal como as conhecemos, tenderão sempre a tornar os seus fiéis em massas acríticas de pessoas, com um dogma em comum. Reflexões à parte, porque o assunto já se está a desviar um pouco do tema inicial, no nosso concelho ainda existe um desfasamento temporal relativamente à influência da Igreja. O poder político lá esteve no convívio do referido padre de Lindoso, como não poderia deixar de ser. À vista das pessoas, os políticos da terra são os mais “santeiros”, ou, pelo menos, tentam mostrar isso. Lá estão eles aos Domingos a celebrar a missa. Infelizmente um requisito do ser político ainda passa muitas vezes por ser católico e invocar o nome de Deus em prol do partido x. Um país laico na sua essência, é algo que Portugal, apesar de 35 anos de democracia, ainda não “cheirou”.

 

 

P.S: É uma “maldade” aquilo que os padres têm que fazer na ordenação, não é?! “Rastejar” aos pés dos superiores…


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Domingo, 2 de Novembro de 2008
Capital do homenageanso por 2 dias

Capital do Homenageanso por 2 dias

 

Foi nisso que Ponte da Barca se tornou nos dias 23 e 24 de Outubro. Não que se queira gozar com o momento, ou algo do género. Até fica bem "a quem passa", mas não é de cá, ver tanta homenagem por habitante:

 

"Quem Passa":  Tanta homenagem! Terra de Progresso?

"O Cá da terra": Não, nada disso! O que isto é mesmo é terra de homenagens!

 

Fora de brincadeiras... Em terra de homenagens o progresso não ser proporcional, pode ter várias explicações: entre as quais... várias. Olhe-se 2 casos distintos, que por si só constituem 2 explicações diferentes para o mesmo facto: homenagem do juíz conselheiro Sebastião da Costa Pereira e medalha para o restaurante "O Moinho".

 

No primeiro caso, o Juíz Sebastião da Costa Pereira foi homenageado por uma vasta e riquíssima carreira na área da justiça e fora dela: nomeação de juíz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, Presidente da Secção Criminal do Supremo Tribunal, sócio fundador da Associação Portuguesa  de Estudos Parlamentares, entre outros marcos de carreira. Do currículo e suas qualidades enquanto pessoa e profissional, ninguém duvida, portanto. Junte-se ainda o facto de ser natural do Porto. Se falarmos de uma homenagem pelo Rotary Club de Ponte da Barca a este senhor, a perspectiva de análise da dita homenagem muda. Isso torna-se ainda mais evidente com as justificações dadas nos jornais, antes da homenagem, onde o Rotary justificou a homenagem: "(...) está profundamente ligado a Ponte da Barca, através da Casa das Ínsuas e da casa da Torre de Pousada, na freguesia de S.Tomé do Vade." A seguir o estatuto de um homenageado definido pelo fundador do Rotary: "Recorde-se que, ao fundar o Movimento Rotário, em 1905, o pensamento de Paul Harris era dar um contributo para servir a Comunidade através da sua profissão." Segue-se mais um parágrafo de fundamentação para a homenagem: "Os fundamentos do Rotary Internacional estão, de facto, impregnados de importância dos Serviços Profissionais...".

E assim, de um alto cargo da justiça se fez um homenageado de serviços à comunidade através da profissão, comunidade essa que se julga ser Ponte da Barca, porque este Rotary Club é de cá, mas esse homenageado é ligado à terra através de duas casas património histórico... Recita complicada de uma grande homenagem, uma homenagem gourmet, talvez...

 

No segundo caso, nas habituais comemorações do "Dia do Município", muitos foram os medalhados: pelos "anos de serviço", pelo "mérito municipal social", pelo "mérito municipal cultural", pelo "mérito municipal desportivo" e pelo "mérito municipal económico". Uma breve referência para o "mérito municipal social", onde dois representantes da Igreja, dois "Revs. Padres", levaram a medalha... Mais uma vez a Igreja é elogiada na sua vertente social... talvez esse serviço social seja o "apoio espiritual" prestado às suas "ovelhas brancas", porque às "pretas"... Bom, mas destaque para essa sim, a melhor homenagem de todas, a de "mérito municipal económico". Essa foi merecidamente para o restaurante "o moinho", com certeza um exemplo na área da restauração a nível concelhio e até regional. De referir que essa homenagem poderia ter também sido perfeitamente na categoria dos "anos de serviço" à Câmara... ou melhor, aos estômagos dos políticos da Câmara Municipal, os quais têm sido repletos no tal restaurante ao longo destes últimos mandatos às horas de refeição...

 


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Domingo, 25 de Maio de 2008
Olhos mais abertos para Fátima

Olhos mais abertos para Fátima

 

Depois de mais um período de peregrinações ao Santuário do Mundo, com os festejos de 13 de Maio, este blog pretende apenas fazer algumas considerações em jeito de rescaldo. As conclusões ficam para os leitores...

Em primeiro lugar é de referir o esforço dos peregrinos. Quilómetros a fio, desgastando-se fisicamente em busca de um conforto psicológico. Propõe-se uma análise numa outra perspectiva. Aquilo que os fiéis têm que pagar para andar a pé. Para se esfolarem, e ir cumprir a sua promessa ao santuário, onde gastam uma boas "mocas" dos pobres orçamentos familiares em troca de favores divinos, têm que pagar, como se não basta-se, o percurso que fazem. Só este ano foram mais de 1 milhão de euros pagos pelos grupos organizados, de modo a garantirem apoio logístico na marcação de refeições e dormidas, assistência médica, transporte de bagagem e oferta de alguns alimentos.

Em segundo lugar há que referir que a maioria das pessoas que se deslocam têm baixo nível de vida proporcionado por baixos rendimentos. "Ah! A gasolina está cara!" "Não se pode comprar nada!". No santuário de Fátima pode-se comprar tudo, isto porque apesar do dinheiro ser pouco, há sempre de sobra para comprar promessas. Troca-se, por exemplo, notas gordas de 50€  por um favor à Virgem. E quando se diz este valor, pode-se dizer bastante mais, como reportagens televisivas testemunharam... Talvez seja do hábito: o português está habituado ao jogo de favores, e porque não pedir também a uma entidade superior, ainda por cima divina?

Em terceiro lugar há que referir o destino destas maquias. Numa reportagem muito bem conseguida pela SIC, à boca das caixas de esmolas, a maioria dos peregrinos, quando questionados sobre o destino do dinheiro, dizia que não sabia. Quando questionados sobre se gostavam de saber, haviam aqueles que diziam que não lhes importava saber. Alguma coisa anda de errado com estas cabecinhas... As receitas do dia 13 de Maio, dizem alguns, foram para o Darfur. É um bom exemplo da Igreja. Não se percebe muito bem de que forma essa ajuda chegará àquelas pessoas, ainda por cima sabendo das dificuldades de actuação humanitária no terreno naquela região.

Em quarto lugar, se o dinheiro for investido no Darfur, será das maiores ajudas que poderiam ter, uma vez que Fátima é uma autêntica mina de dinheiro. Em donativos recebem quantias como 8,7 milhões € em 2001, 9,9 milhões em 2002, 8,7 milhões em 2003. Os lucros andaram sempre próximos desses mesmos valores, e só em 2004, o pior ano, atingiram 726 mil €, devido à construção da nova igreja. Percebe-se porque D. Saraiva Martins disse que "se o capital é da actividade religiosa não deve ser sujeito a tributação fiscal", após a ameaça fiscal que poderá vir da nova Concordata.

Em quinto e último lugar, refira-se as tristes palavras que António Marto, bispo de Leiria-Fátima, disse, e que infelizmente não mereceram os assobios dos presentes, o que também já por si revela alguma gravidade da actual consciência crítica dos peregrinos. Referia a "não negociabilidade" do casamento entre homem e mulher, ou seja, descriminação das outras opções sexuais, proferiu um discurso de aproximação ao Islão, e ao mesmo tempo discriminou os que nenhuma religião têm, ao considerar preocupante a sua crescente representação, conjuntamente com os "consumistas" (até pareceu considerá-los "farinha do mesmo saco").

Um concelho: Olhos mais abertos precisam-se! Até porque a religião, neste mundo dos vivos, quem a faz são seres humanos, e não as figuras divinas, e por isso há que desconfiar e não tornar verdades indiscutíveis tudo o que lhes sai da boca!

 

 


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Domingo, 25 de Novembro de 2007
Violência Doméstica é realidade
Violência Doméstica é realidade também em Ponte da Barca

Decorreu no dia 23 de Novembro à noite um debate sobre o tema da Violência Doméstica, no Auditório Municipal da Casa de Stº António do Buraquinho. Ao que parece alguma "gente importante" esteve presente, como Teresa Carvalho, da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, o padre António Brito e o presidente de junta de freguesia de Bravães Alberto Cerqueira.

Comecemos pelo painel presente: alguém explique o que num debate como este estiveram a fazer um padre e um senhor na qualidade de presidente de junta de uma das freguesias do concelho? Elementos da igreja católica são presença usual de moitas cerimónias e acontecimentos ditos de "importantes" ou mediáticos, e a presença de certas figuras políticas, em muitas "coisas" e muitas vezes pode indicar movimentações políticas mais rebuscadas... Onde é que já vimos painéis deste tipo? Não é a primeira nem vai ser a última...


Mas o mais importante, isso sim, é o tema do debate em si. A violência doméstica é algo muito pertinente, até porque, em terras como a nossa, mais interiores e conservadoras, é uma "modalidade" apreciada por muitos. Claro que se pode falar bonito e não mentir, dizendo que atinge todos os estratos sociais. Mas sendo-se minimamente verdadeiro, sabe-se que nas populações onde há o complexo da "vergonha" perante os outros, a coisa agrava-se. E o "machismo", que obrigou muitos casamentos a perdurarem para a vida e ainda farão alguns actualmente? É a ideia do "come e cala". É um assunto que ninguém fala no dia-a-dia, e quando se fala, suscita sempre a sua "graçola" numa conversa "de café". A violência doméstica é um problema que se resolve falando, e falar disso de forma séria é ainda muito difícil.



 

 


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Domingo, 28 de Outubro de 2007
Barca: terra santa do minho

Barca: terra santa do minho

Depois de tantos episódios de "Mais um servo de Deus em Ponte da Barca" (se ainda não viu, veja a lista de anteriores artigos deste blog), a nossa imprensa, em final de mês de Outubro ainda nos brinda com artigos sobre os novos padres do concelho, assunto já mais que tratado durante o mês de Agosto e Setembro. Desta última (esperemos) vez, foi no "Notícias da Barca" por M.C. Soares, tocando mais uma vez no assunto da ordenação de Jorge Silva da freguesia de Bravães. Depois de "beijarem os pés" aos seus superiores durante a ordenação (ao que dá a entender pelas fotos divulgadas), o que mais serão capazes de fazer estes novos padres que são ordenados por estas terras? Muitos padres recém ordenados por esse país fora têm-se queixado de falta de condições dada pelos seus paroquianos! É verdade! Os padres estão cada vez mais exigentes, como é o caso do seguinte testemunho dado pelo padre Ezequiel, no vídeo que se segue:

 

No jornal "O Povo da Barca", Luís Arezes vem também tocar nos assuntos religiosos destas terras. Vem chamar a atenção para o esquecimento dos 100 anos da Santinha da Barca. No seu artigo são dadas muitas informações acerca desta santa barquense, que em 1906 é tornada "santinha" após ter sido descoberto que o seu corpo se encontrava "direitinho" após 12 anos de "residência" no seu jazigo. O seu corpo perdura até hoje, após ter sido posteriormente conservado com recurso a "cal e ácido". Seu verdadeiro nome, de pessoa comum da sociedade daquela época, era Utelinda do Nascimento Barbosa. Com certeza que esta "santinha" é um marco na história das crenças religiosas do nosso concelho. Mas o que é que era esta "santinha" na realidade? Era, no fundo, uma mulher que pelo facto de não ter apodrecido normalmente enterrada na terra após a sua morte se tornou santa segundo as crenças locais. Mas que é isto? "Banha da cobra"? E a quem a vendeu e a tornou lenda durante esses precoces anos do século XX, o povo também poderia insultar da forma como costuma fazer a impostores: "Os senhores são mas é uns grandes filhos de Deus, pá!"... "E santinhas na Barca também há muitas!".

 

 


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Domingo, 14 de Outubro de 2007
Mais um servo de Deus em Ponte da Barca - 2ªtemporada

Mais um servo de Deus em Ponte da Barca - 2ªtemporada

 

Ao que parece, o concelho de Ponte da Barca tem sido nos últimos tempos uma zona do país, e quiçá do mundo, onde a Igreja Católica tem tido resultados positivos no que à propagação de pastores diz respeito. Não bastando o já muito badalado padre Jorge Silva da freguesia de Bravães, chega agora uma nova temporada desta "série" de artigos dedicados aos servos de Deus, agora protagonizada pelo "consagrado de fresco" padre Custódio, da freguesia de Britelo. Como foi por aí referido na imprensa regional, foram feitos "tapetes de flores" e um "modesto banquete", na festa de recepção da paróquia referida. Foi também referido que em freguesias como estas, "a imagem de um padre é descrita como um ser santificado, dado que, culturalmente, é visto como o transmissor da lei divina."

Enfim, depois de tantos episódios a falar de consagrações de padres, não vale a pena acrescentar mais nada. Apenas dedicar ao novo padre um "futuro promissor como pároco", e sobretudo dar uma palavra de apreço a todos aqueles que durante estes dias foram a Fátima dar a sua esmola ainda que por vezes abdicando de outras coisas mais importantes na suas vidas...


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