Terça-feira, 21 de Agosto de 2007
Desrespeito pelo património

Falta de cultura leva a faltas de respeito pelo património

   

Recentemente assistimos no "Notícias da Barca" a uma troca de palavras entre M. C. Soares e Alípio Pereira. É triste que pessoas se zanguem por causa de algo tão nobre e importante para o concelho como é a Igreja do Mosteiro de Bravães. Ainda mais triste é o facto de alguém que não é da freguesia de Bravães, como é M. C. Soares, venha alertar numa edição anterior do referido jornal para a falta de acompanhamento e informação dos turistas que visitam esse monumento de Bravães e a Igreja Matriz, e venha o senhor Alípio Pereira na edição seguinte quase insultar M. C. Soares para defender a igreja que pelas palavras será da sua freguesia. É também verdade que o senhor M. C. Soares não se deveria ter alongado tanto na resposta a Alípio Pereira, tornando-se muito extenso. Mas a verdade essencial está do lado de M. C. Soares: os nossos monumentos, como são a Igreja de Bravães e a Igreja Matriz mereceriam uma muito maior atenção das entidades políticas do concelho: os turistas actualmente deparam-se apenas com as paredes e beleza dos monumentos, mas com poucos meios que os permitam seguir as suas visitas.

Numa outra freguesia, em Vade S. Tomé, uma coisa muito mais grave poderá acontecer. Depois do alerta de António Pestana Raposo acerca das intenções de destruir o vestígio de uma antiga via romana e seus muros para fazer obras numa via de acesso na freguesia, o presidente de junta Joaquim Silva Lopes vem reponder em tom de "chico esperto". Se não se lembra dessa denúncia pode ir ver o comentário já publicado neste blog em http://nadasobreabarca.blogs.sapo.pt/22279.html. Alguns desses argumentos que permitem classificar desta forma o comentário nos jornais deste presidente de junta são:

"1º - Este senhor esquece-se que esta obra é a ligação interior do lugar de Paredes ao lugar da Mouta"

"2º - Não é de modo algum benefício de pessoa singular mas sim de interesse público."

Claro, o arranjo de um caminho da freguesia sobrepõe-se ao valor do património histórico, marco no tempo da cultura de outrora. Senhor presidente, lembra-se de Foz Coa? Era uma barragem de interesse fundamental para esse concelho inteiro e não fui para a frente? Quer que um caminho destrua um pequeno mas simbólico vestígio da ocupação Romana?

"3º - É verdade que há um muro em mau estado, e outro ruiu na estrada da Mouta, mas esse senhor não diz nada que a queda do muro se deve a um desaterro que ele próprio fez à revelia da Câmara Municipal."

Claro, vamos lá descobrir os "podres" de quem se quer acusar, para ele perder toda a credibilidade - agora já se pode deitar os muros romanos ao chão.

"4º - E muito mais teria a dizer mas fico por aqui. O senhor Engº meta a mão na consciência..."

 

Este 4º ponto é no mínimo genial. "Muito mais teria a dizer..." é um bom argumento para alargar o tal caminho...

 

Como se não chagasse ainda revela uma certa estupidez ao dizer que se surpreende "que uns simples muros de vedação, ainda por cima tem as juntas feitas com cimento, se possam chamar de muros Romanos, mas enfim eram Romanos evoluídos." Senhor presidente, olhe para a estrada romana junto à rua Trás do Forno na vila e veja lá as tampas do saneamento. Não é por causa disso que não deixa de ser Romana. Perdeu foi parte do valor que posssuiria se fosse preservada, tal como provavelmente acontece com esses muros dos "Romanos evoluídos". O facto de ambas as estradas não serem preservadas deve-se ao simples facto de quem governa as nossas terras não ter visão, cultura ou o que quiserem mais chamar.

Na opinião deste insignificante blog, o IPPAR deve ser chamado para avaliar de facto e objectivamente esta situação, de forma a orientar da melhor forma este problema.


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Sábado, 21 de Julho de 2007
Atentado em Vade S.Tomé

Atentado em Vade S.Tomé

Uma notícia no mínimo insólita vem de Vade S.Tomé. O presidente de junta Joaquim da Silva Lopes é acusado de querer destruir um caminho romano, na imprensa regional, por um senhor preocupado com o património histórico que possuímos, e que infelizmente poucos sabem dar o devido valor. No contexto de obras das estradas e caminhos da freguesia, o presidente de junta e Câmara Municipal pretendem alargar também a referida estrada romana, destruindo também, os muros com mais de 2000 anos, com cerca de 200 metros de comprimento. Num excerto do artigo escrito para os jornais da terra pelo senhor António Pestana Raposo lê-se:

"(...) no dia 5 deste mês, recebi uma carta do advogado da Junta de Freguesia dizendo que era intenção da Junta alargar o caminho, fosse de forma consensual ou expropriando o terreno e o muro em causa."

 

É mais um caso que revela a extrema falta de cultura de quem governa as nossas terras. Estão no poder pessoas que não são capazes de reconhecer e até aproveitar as potencialidades do património que possuem.

 

"Como é que se pode gastar assim dinheiros públicos, destruindo património de todos e sem criar benefícios a todos?"

 

Gentes de S.Tomé: protestem! Não deixem que vos estraguem um dos muitos vestígios da ocupação romana da Península Ibérica no concelho. Já vimos o que aconteceu à via romana perto da Rua Trás do Forno há uns anos atrás: os políticos da terra avançaram com as obras de saneamento e levantaram as pedras de uma estrada com mais de 2000 anos. Hoje podemos lá ver tampas de saneamento! Resta saber como ninguém tomou medidas quanto a isso. Desta vez isso não pode acontecer. É pena é que tanto os políticos da Câmara como os da Junta tenham que ser pressionados pelas pessoas conscientes do valor do nosso património histórico...


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Sábado, 23 de Junho de 2007
Boletins "escarrativos"

Boletins escarrativos "

Os "Boletins Informativos" distribuídos desde o início deste ano dando a conhecer as Freguesias de Vila Nova de  Muía , Entre Ambos-os-rios, Britelo e Bravães são o exemplo não só do que de melhor se faz nessas mesmas terras, como dos seus "escarros", não específicos de cada local, mas sim os "escarros" que só os barquenses conseguem fazer: algo que já faz parte da sua caricatura.

Voltando um pouco atrás, esse boletim, e segundo excerto do seu "editorial" "(...) surge no sentido de informar a população sobre eventos, cultura, economia, tradições, gastronomia, paisagem e outros que contribuam para a elevação do conhecimento e para a sua valorização pessoal."

 

Resumindo: Tretas!!! Não chegando ao ponto de tanto "deitar a baixo", verdade seja feita: algumas destas áreas foram destacadas, como sejam os "eventos" e "tradições".

Foram destacadas, e bem, os projectos da Associação Social e Cultural de Britelo , desenvolvendo interessantes actividades de acção social e desportivas para os mais jovens, o centro Social de Ambos-os-rios, no apoio a idosos, a prova de motocrosse Taça de Ouro "Terras da Nóbrega" em Vila Nova de Muía , a representação teatral em Bravães da Mui  Dolorosa Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo", o Voluntariado Jovem para as Florestas e Sapadores Florestais de Entre Ambos-os-rios, etc. Até aqui tudo muito bem. Já no que diz respeito às tradições, estas são extremamente valorizadas, como já é hábito nas nossas freguesias. Porquê não acabar com pelo menos metade delas, dedicando-lhes um mero papel de divulgação cultural e não de "borgas à moda antiga"? É que o problema é que estas "roubam" habitualmente lugares de destaque para o património natural e arquitectónico, que afinal é a maior potencialidade do nosso concelho e até do país.  Querem exemplos? Então vejam este "boletim", e vejam a importância atribuída ao património histórico, por exemplo. Vêm-se fotografias da "Anta de Chão de Cabanos " em Britelo , da Igreja de Bravães, da "Fonte Santa" também em Bravães, de uma ponte, nem se sabe se romana se medieval, em Entre Ambos-os-rios, etc.  E a história destes monumentos, estes sim, dos maiores valores destas freguesias? Alertam-se aqui os senhores José Domingos Fernandes, José Alberto Cerqueira e Inocêncio Araújo por serem os presidentes de junta das freguesias referidas e acerca das quais escreveram. Por favor, não sigam maus exemplos que vemos por este país fora, e valorizem os seus monumentos, que são das maiores pérolas das vossas freguesias, e às quais muitas dão-se ao luxo de não possuir. E querem saber que mais? Façam como o senhor Abílio José Silva, o presidente de Vila Nova de Muía , que neste aspecto merece os maiores elogios em dedicar uma página de referências históricas do grande símbolo patrimonial que é o Mosteiro de Santa Maria de Vila Nova de Muía . De referir também a torre medieval da aldeia, pertencente à estrutura do mosteiro, cujo triste estado em que se encontra se deve a um proprietário com pouco sentido do que é possuir um património arquitectónico histórico.

 

 

 

Mas, eis que no fim do contas todo este bonito e muito estático "Boletim" de divulgação destas freguesias, exibe uma das maiores "fachadas" aos leitores: os sites das Juntas de Freguesia, cujo facto de estarem integrados num programa de modernização administrativa têm feito apenas com que estejam inacessíveis aos cibernautas há pelo menos alguns meses, depois de alguns deles já terem estado activos e actualizados. Será o típico desleixo barquense, em que algo só dura enquanto é novidade?


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Domingo, 10 de Junho de 2007
A moda de Scolari

A moda de Scolari

A realidade barquense: da janelas das moradias até aos eventos socio-tradicionais

O barqueiro através de mais uma das suas revisões pela imprensa deparou-se por mais um dos "eventos" caricatos das nossas terras: as bandeiras. A moda de Scolari, de por bandeiras às janelas das casas por todo o país não é inteiramente nova em terras barquenses. A diferença reside nas circunstâncias e locais onde são postas e usadas, se assim se poderá dizer.

Para Scolari, as bandeiras foram uma forma de transmitir e moblizar os apoios dos portugueses em geral para a selecção nacional de futebol, pondo em campo não só uma equipa de futebol como um país inteiro.

Para os barquenses colocar as bandeiras nestas alturas apenas teve de novo serem colocadas às janelas e serem de Portugal. A tradição é ainda tão forte, que uma bandeira tem que ser utilizada nas tradições da terra, não como um simples símbolo, como a portuguesa, mas como muito mais do que isso. Só quem já viveu esta febre dos estandartes sabe explicar. É algo que não passa através das palavras.

Este assunto é para aqui trazido em virtude de um tópico da imprensa regional recente que dizia "Fundador do Antigo Rancho oferece bandeira", no qual um senhor que ofereceu uma bandeira ao rancho de uma das freguesias do concelho, Bravães, é descrito como "ilustre filho da terra". 

E os funerais? Ainda existem pessoas que querem pertencer a organizações, se é disso que se trata, chamadas de Irmandades, para levar a bandeirinha no seu funeral. E as procissões? Lá estão as bandeiras, e quem sabe os cachecóis. As procissões são a propósito um local a ser mais falado. Já Saramago diz que as procissões eram dos melhores locais para testemunhar a caricatura das pessoas desde a Idade Média. Eram, e ainda são, em muitos dos nossos locais, apesar das touradas e procissões já serem muito encobertas pelo entretenimento contemporâneo que é o futebol. Indo para o campo da brejeirice, um legado que também deveria ser recordado como o folclore e outros, só quem segurou num pau de bandeira num destes eventos sabe qual é o sentimento. Quanto ao campo específico dos funerais, as pessoas que tanto se esforçam a garantir durante a vida as suas bandeiras funerárias, acabem no fim de contas por não as verem no seu último passeio. Ora isto é um escândalo, e ninguém fala disto! Paga-se, porque não é de graça, por algo que afinal nunca se chega a ver!

Quer ser recordado como alguém ilustre? Ofereça bandeiras ou garanta já o seu kit de bandeiras funerárias num mediador perto de si.

         

 

Quer saber quais os eventos populares , como comesainas, ranchos e procissões que estão aí. Fique-se então com o tributo a Zeca Afonso na freguesia de Bravães no dia 10 à noite. Pode ser que aprenda realmente alguma coisa. Já agora, porque não apostar mais em eventos culturais destes, e reduzir os eventos tradicionais e religiosos apenas a 1 ou 2 eventos anuais e centrais concelhios, apenas para mostrar o que de facto é o passado tradicional ao turismo? É que para borgas à moda antiga todas as freguesias aderem em massa.

 

                                                  


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talhado por o barqueiro às 17:52
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Sábado, 26 de Maio de 2007
E viva a leitura!

E viva a leitura!

A Feira do Livro de Ponte da Barca deste ano decorreu entre 12 e 20 de Maio. Foi mais uma vez um dos poucos eventos do nosso concelho que de facto é realmente cultural e construtivo para todos os barquenses. Ano após ano este evento tem surpreendido pela acção que pretende ter junto dos barquenses: o gosto pela leitura e pelo enriquecimento cultural. E os barquenses bem precisam! Aliás, não é à toa que aquele senhor que parece ter comprado um diploma tem insistido na questão da formação dos portugueses. E nisso ele tem razão: para se mudar um país, é preciso primeiro formar os seus cidadãos do ponto de vista intelectual. Querem o segredo para se sair do fosso me que os portugueses caíram (parece que já nasceram nele!)? Não é preciso muito mais do que mudar as mentalidades, aumentar o nível de formação dos portugueses e o gosto pelo saber. Só assim se acabará com os resquícios de salazarismo que ainda andam por aí (se calhar não são só resquícios!). E como conseguir isso. Não é fácil, sendo algo que se poderá projectar a longo prazo, e o problema é que ninguém assume uma atitude séria, competente e firme de iniciar isso. Como diz muitas vezes o povo: "todos querem é poleiro!".

 E como começar esta remodelação mental em Portugal? Com eventos como a Feira do Livro em Ponte da Barca, que infelizmente se trata talvez de um evento isolado. É pena que o interesse pela formação seja tão baixo. E para contrariar isso nada melhor do que aumentar os seus níveis de literacia.

A Feira deste ano teve como destaques a exposição em memória do grande poeta Miguel Torga e os concertos de Maria Anadon e Wordsong Pessoa, para além dos, esses sim o principal atractivo, livros.

É de facto de elogiar o empenho e o interesse dos organizadores deste evento anual, que ao contrário do que se poderia pensar, não se tem esbatido.

Continuem com o melhoramento anual deste evento, e fundamentalmente não façam deste acontecimento um evento isolado, pois as pessoas já estão exageradamente abastecidas doutros eventos em que infelizmente os barquenses são mais especialistas.


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talhado por o barqueiro às 22:08
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