Sábado, 8 de Agosto de 2009
Dossier Autárquicas 2009

Dossier Autárquicas 2009

 

As épocas eleitorais estão à porta, como já todos se aperceberam pelas "abelhinhas loucas " que começam a pairar por aqui e por ali. Falando em particular das autárquicas, que mais directamente dizem respeito ao nosso concelho, é mais um dos momentos cruciais para o futuro de Ponte da Barca. O que é verdade é que em todos estes anos de democracia nenhum acto eleitoral quebrou a mediocridade pela qual a gestão autárquica se tem caracterizado, apesar do poder que o voto pode ter.

Por que será que o voto do cidadão barquense não tem esse poder de manifestar o descontentamento e a pretensão de um rumo diferente? Os políticos certamente escapariam à questão, dizendo algo como "o povo é soberano; a sua decisão deve ser respeitada". Não discordando desta "costela democrática" que todos se gabam de ter, o barqueiro arrisca-se a avançar uma hipótese para a falta de utilidade do voto. Infelizmente a resposta poderá estar neste blog, nas secções de comentários a artigos. Basta ler muitos dos últimos comentários, para ver algumas das tais "abelhinhas". São as "abelhinhas" que durante quase todo o mandato andam silenciosas e recolhidas às suas "colmeias", são até capazes de dizer "ámen" à velha máxima de que "são todos iguais, os políticos" na conversa de esquina, e só elas parecem realmente saber a receita para um concelho melhor e para o bem, e só o bem, de todos os barquenses. Só quando cheira a eleições e época de propaganda é que se começam a ver, por aqui e por ali, apoiando ferverosamente as medíocres forças políticas de "sempre". E é mais ou menos assim que se vai perpetuando a política que temos: a da espiral "poder-dinheiro-poder", como já disse o bastonário Marinho Pinto.

É basicamente esta a base do descontentamento político do barqueiro, e pelo qual tenta fazer crítica e opinião num blog. Sendo um blog, trata-se também de um espaço aberto a todos os que pela net navegam. Tudo é permitido, desde opiniões políticas, sociais, económicas, gastronómicas, elogios, críticas, até falar sobre a "apanha da nêspera". Como sabem, este não é blog partidário, por isso, no que toca a propaganda as "abelhinhas" vieram bater à porta errada. Mas como o barqueiro não gostaria de apagar material deixado pelos seus leitores, a partir de agora, todo o material "propagandístico" será reencaminhado para o post/ artigo "A Colmeia das Abelhinhas".

 

Arrumadas que estão as "abelhinhas", passemos à opinião do barqueiro acerca dos partidos candidatos.

 

Augusto Mariiii... ou Cabral de Oliveira?

 

A dúvida deveria ter sido desfeita no dia 20 de Junho, no jantar de apresentação oficial do candidato à presidência da Câmara pelo PSD. Parece que o candidato oficial, segundo aquilo que mais de 500 pessoas entenderam, de entre apoiantes e jornalistas, é mesmo Augusto Marinho. No cartaz de propaganda, quem realmente aparece é ele, ou o pelo menos o seu clone em Photoshop. O discurso parece assentar na mesma base que o  "mestre" Cabral tinha construído até aí, principalmente através dos seus artigos de "ressuscitação política" nos jornais locais. A "mordaça", o "despesismo", o "hipotecar do futuro" e a "bufaria" são basicamente os pilares em que assenta o discurso feito em relação ao partido opositor no poder. Com eles, e segundos eles próprios, tudo isso acabará, e o desenvolvimento do concelho arrancará. Só ainda não se sabe bem como. Esperemos pelo programa eleitoral que propõem para os barquenses, já que projectos concretos de governação infelizmente ainda não foram devidamente revelados. Uma coisa desde já se pode concluir em relação a estes "novos" pretendentes ao poder (se é que se pode chamar de "novos"!): são extremamente católicos, visto que o velho ensinamento do pároco "não olhes para o que eu faço, olha para o que eu digo" se lhes aplica na perfeição. Toda esta "velha malta", que se quer disfarçar de "nova", sabe apontar muitos dos defeitos do actual executivo, só que muitos desses defeitos foram também seus quando passaram pelo poder. Sim, porque parecendo que não, toda esta "malta" já esteve no poder e tem a sua quota parte de responsabilidade na mediocridade actual. Ou melhor, parece mesmo que passaram o testemunho dessa mediocridade ao actual executivo. Realismos à parte, falemos da febre partidária. Pelas imagens do Jantar de apresentação, os níveis "febris" estiveram altos, como acontece sempre que há comida, bebida, muita gente e bandeiras. E deverá ser para aumentar...

 

 

 

A "missão" Augusto Marinho ao poder está lançada. E parece assentar numa forte vertente tecnológica, com locais na net, como site oficial, blog e até twitter. Veremos se fará assim tanta diferença na realidade do nosso concelho. A julgar pelas fotos na web, o mais fotogénico parece ser o "velho" Cabral de Oliveira. E mais do que isso: a julgar pela actividade partidária, Cabral de Oliveira parece ser até o candidato à presidência. É que antes e depois da apresentação de Augusto Marinho só tem dado Cabral de Oliveira. É ele que é a voz do partido para as próximas eleições. É ele que "abafa" Augusto Marinho nesta propaganda partidária do PSD. É que com expressões como "Chorrilho das promessas" (in Notícias da Barca, 24 de Julho), Cabral de Oliveira "abafa" qualquer um! E para tornar Augusto Marinho cada vez mais um "beto" JSD, foi mais uma vez Cabral de Oliveira que fez notícia com o PSD local mais recentemente, ao anunciar a candidatura à Assembleia Municipal. E com a frieza, ou... como é que se diz..., "lata" própria de um político disse "Sou candidato em nome da seriedade, da transparência, do rigor...". Mais uma vez a velha máxima do pároco vem ao de cima: "Não olhes para o que eu faço (ou fiz), olha para o que eu digo". Pode-se dizer que disfarçar é coisa que o muito experiente Cabral de Oliveira ainda não domina na perfeição. Isto porque ao tentar disfarçar o facto de basicamente ser ele o PSD concelhio, tendo como presidente do plenário a "mulher d'armas" Rosa Arezes, ter dito em relação à sua candidatura à assembleia municipal "Resolvi (...) aceitar o convite que me foi formulado pela Comissão Política do Partido Social Democrata".

Entretanto mais uma figura do PSD foi definitivamente "seca" pelo PSD/ Cabral de Oliveira: Olinda Barbosa. Em geito de despedida da vereação da câmara escreveu para o jornal com o título: "Final de mandato. Onde paira a maioria PS?". Seria também caso para os preocupados com o PSD local perguntarem "E onde vais parar tu depois de terminar este mandato?".

Por último, outra coisa que o período pré-eleitoral trás é a emersão à praça pública de algumas figuras dos partidos. Desta última foi Francisco Fernandes, que no discurso na Assembleia Municipal, publicado no Notícias da Barca, disse "(...) este executivo contratualizou com uma entidade privada a elaboração de um plano estratégico, admitindo, assim, não ter (...), capacidade nem qualquer projecto para o desenvolvimento sustentado do Município.". Mais um belo recorte da política local, no qual um deputado da assembleia municipal critica um dos poucos exemplos de boa política do actual executivo, na base de qualquer boa gestão: realização de estudos, idealmente multi-disciplinares, para levantar as necessidades e prioridades de uma gestão, e ordenar medidas consoante as prioridades. Ainda para mais usando essa crítica como atestado de incompetência do executivo que a encomendou.  Apesar da gestão actual ser duvidosa, muito criticável e algo caótica, a crítica usando a execução de um Plano Estratégico é o fresco da gestão política feita em "cima do joelho" que até hoje tem sido praticada.

 

 

Um Executivo dos buracos e dos empreiteiros

 

Do executivo actualmente no poder muitas obras se estão nesta altura a ver, nomeadamente no campo do betão e do alcatrão. Aliás, apesar do barqueiro não possuir os dados exactos, este é aparentemente um dos mandatos em que mais se gastou em betão e alcatrão. Temos a nova Câmara Municipal, inaugurada antes de acabada, temos o novo posto de GNR, que atendendo às dimensões mais parece um posto de comando distrital, temos os centros escolares e lares de idosos, que vão começando a ser construídos, temos também as remodelações das entradas sul e este da vila. Os apoiantes deste executivo, ou como atrás se disse, as "abelhinhas", neste caso as do PS barquense, até poderiam estar aqui a acrescentar mais obras. Fiquemos apenas por estas que já são suficientes. Relativamente à Câmara Municipal muitos euros foram gastos, inclusivé em mobiliário. Já a qualidade de contrução (querendo o barqueiro armar-se em pequeno empreiteiro) deixa a desejar, a menos que a aparante "mobilidade" da pavimentação em pedra da câmara e do largo do Urca seja uma nova forma de construção. Os centros escolares, posto de GNR e lares, sim senhor, venham eles. Mete alguma impressão ver mais de 3 milhões de euros só para a construção de 2 destas infraestruturas, como foi noticiado há poucos meses. Talvez seja a costela do português provinciano dos nossos políticos, que sempre se lamentando da crise e da falta de dinheiro não põem de parte as suas "extravagâncias". Ou talvez seja a habitual necessidade de mostrar estradas e boas e grandes paredes de betão, para o "povo" se iludir na sua decisão eleitoral. Relativamente às entradas da vila, finalmente temos entradas decentes para uma vila, particularmente a este, que já está praticamente pronta. Independentemente das críticas que se possam apontar ao desenho do projecto em si, finalemente temos bons passeios e bom asfalto. Falta agora a entrada sul, que já anda em obras (finalmente a mítica rotunda de plástico acabou!). A entrada oeste também merecia uma intevenção futura do género.

Enfim, o frenezim pré-eleitoral do betão está ao rubro, com a execução de obras de forma algo caótica, fugindo aparentemente a qualquer tipo de planeamento estratégico. Milhões andam a ser gastos. A curto prazo veremos que resultados práticos trarão para o concelho. Como não podia deixar de ser, quem também anda muito ocupado neste período pré-eleitoral, para além dos políticos, são os empreiteiros. Basta ver as construções do boss Artur Freitas, para vermos quanto a câmara municipal conta com a ajuda deste "obreiro" do nosso concelho. Enfim, cada mandato, cada executivo tem o seu "obreiro", e este mandato é do referido. Referência ainda para um outro "obreiro", ou melhor, sociedade familiar de "obreiros" que tem saído quase do anonimato no mundo das empreitadas neste mandato autárquico. Apesar da qualidade das obras ser muito duvidosa (como o exemplo do largo do Urca, ou então o restauro da ponte medieval), são a eles que devemos muitas obras que vão sendo construídas. É este o poder que a política tem.

 

 

 

Mas o barqueiro não se esquece das "preocupações sociais" que pairam no ar. Veja-se a "malta" do CDS barquense, cujo partido não premiava o seu esforço e dedicação pelo concelho. Onde foi que arranjaram esse "premeio"?... no executivo PS. Cargos de vereação, presidência da Associação Amigos da Barca, que ninguém sabe muito bem para que serve, e ainda gerência e criação de "emprego" (chamem o que lhe quiserem) com a construção de novos lares previstos.

Quanto à posição do executivo no que diz respeito à criação ou não de indústria no concelho, ninguém sabe muito bem o que têm na mente, ou se têm alguma coisa. Aposta definitiva no turismo como actividade económica central do concelho ainda pouco foi visto (excepção para a promoção da vertente histórica na produção hidroelétrica, em Paradamonte, e o Festival de Música Celta). Falta estratégia nestas áreas. E a ponte de Lavradas? Um "presente" que Vassalo queria dar a Lino Ventura, sem olhar para o preço... o problema foi agora que olhou para o preço... Agora, ponte de Lavradas, talvez só se for de canas. O projecto da Zona Desportiva foi aparentemente abandonado. Com várias datas de início anunciadas, nenhuma delas foi verdadeira, e desta última decidiram-se por uma pequena remodelação do que existe. Caiu-se mais uma vez no erro de não seguir um plano, uma estratégia de execução das políticas e das obras. Agora que as eleições estão à porta, quer-se fazer todos os projectos impossíveis de fazer num mandato: começa-se a meter em obras tudo quanto é sítio, e pelo caminho outros projectos ficam pelo caminho. Quer-se mostrar que se fez mais betão que no mandato anterior. E assim o concelho tem navegado, navega, e há-de provavelmente continuar a nevegar, pelo menos nos próximos anos.

Entretanto, não só no PSD alguns "ressuscitaram". No PS foram logo 2 de uma só vez. O regresso de Miguel Pontes (quem não se lembra do caso Miguel Pontes - Isabel Pedro? http://nadasobreabarca.blogs.sapo.pt/36889.html) e o do José Amaral. Miguel Pontes publicou o seu discurso de Assembleia, onde fez não mais do que o balanço de 4 anos de governação PS. Acusou as vozes opositoras de "confundir arrogância com ambição". Basicamente as maiores forças políticas acusam-se do mesmo. Não é que estejam erradas. Não conseguem é avaliar-se a si próprias. Confiante na vitória diz que o próximo mandato haverá a "a mesma determinação e seguramente redobrada confiança". José Amaral, esse líder da recém JS, desaparecido da comunicação após a fundação oficial desse órgão de juventude partidária, vem no fundo fazer o mesmo e ainda mais, ou seja, propaganda ao presidente da câmara Vassalo Abreu: "4 anos de progresso" com  Vassalo Abreu, um homem com o qual "se fala na rua, que não mudou por ser presidente e que a todos trata por igual, sejam ricos, sejam pobres!". É de facto espantoso como o líder de uma Juventude partidária consegue reger-se pelos livros dos velhos políticos, os livros do populismo e do vazio de ideologias e convicções.

 

 

 

 

Assim vai a política em Ponte da Barca... Como sempre estão mais em jogo pessoas/ candidatos do que ideologias e estratégias, porque essas parecem ser basicamente as mesmas, e as mesmas de sempre(se é que existem!)...

 

Vai ser difícil escolher!...

 

 

 


 

 

NOTA de "O Barqueiro" a 9 de Agosto de 2009:

 

Após comentário deixado a este artigo, o barqueiro pretende esclarecer aos leitores aquilo que realmente quiz dizer com a análise (feita neste artigo) ao discurso do deputado Francisco Fernandes na Assembleia Municipal e publicado no "Notícias da Barca". O barqueiro pretendeu só, e apenas, criticar o facto de se usar o argumento de que a encomenda do Plano Estratégico a privados é uma prova da falta de capacidade e de projectos do executivo eleito. A má gestão deste executivo camarário poderá ter diversas causas e facetas. Mas a execução de um estudo/ plano supostamente para levantamento de prioridades e elaboração de estratégias não é em si prova da falta de capacidade. Poderia até ser prova de uma gestão metódica e ponderada, caso fosse esse o caso da nossa Câmara. O facto de um político usar este discurso/ argumentação demonstrará por isso falta de qualidade política, ou a prática da política de medidas em "cima de joelho", pois encomendar estudos não é sinal nem prova de ignorância de uma gestão, antes pelo contrário. Como saberão, é difícil haver diversidade de capacidades técnicas nos membros de um qualquer órgão de gestão para realização por si próprio de grandes estudos, muitas vezes multidisciplinares, daí que seja algo de ponderado encomendar estudos/ planos.

Desta forma, o barqueiro pretendeu apenas demonstrar a crítica de um político à má gestão da Câmara, caindo no erro de pegar por um dos poucos, se não quase único, aspectos positivos da gestão do mandato actual. Já a falta de capacidade, ou outro tipo de "areia na engrenagem", para pôr os medidas desse Plano Estratégico em prática é outro assunto, com os quais, esses sim, o barqueiro poderá ter considerável grau de concordância com o visado.

 

Espera-se que a compreensão dessa reflexão do barqueiro seja assim melhorada. As desculpas pela possível falta de clareza na elaboração dessa área do artigo..


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A "Nata" Barquense

A "Nata" Barquense

 

Estava o barqueiro lendo um dos "Notícias da Barca" do mês de Julho, quando se deparou com mais um excelente artigo da autoria do já conhecido sociólogo Pedro Costa. É claro que esta é só a opinião do barqueiro, mas nunca é demais expressar neste blog a sua grande admiração por aquilo que escreve. "Nata" de Ponte da Barca, olhem para esta forma de escrever e de opinar, expor e analisar diversos temas da sociedade!

O artigo de Pedro Costa que levou o barqueiro a escrever este seu artigo tinha como título "Sobre a humildade e honra". Nele estava o seguinte início de parágrafo, e o barqueiro deu-se aqui à liberdade de o expor, para a "nata" barquense pensar nele:

 

"O uso da palavra Doutor serve, cada vez mais, para (re) direccionar o poder nas relações sociais. Como douto é aquele que , aparentemente, sabe do que fala ou trata, nas relações a palavra doutor implode o sentido e subjuga o "não-douto" ao douto."

 

De facto não se poderia melhor retratar aquilo que hoje se passa na sociedade, em que todo o possuidor de um curso superior, e alguns deles com formação não se sabe bem em quê, vive na ânsia de mostrar ao próximo o seu título de "doutor", na ânsia de assim ser tratado nas relações sociais, mesmo naquelas externas ao exercício das suas actividades enquanto formado em determinada área. É uma "febre", talvez devida ao facto do nosso país, e em particular o nosso concelho, não estar historicamente "habituado" a estudar e a formar os seus cidadãos. A isto junte-se a necessidade de afirmação e estatuto, e a "febre" poderá em parte estar explicada.

 

"Andamos constantemente embrulhados numa típica disputa de "galos" para demonstrar qual de nós tem mais força, inteligência ou mais poder."

 

O barqueiro apeteceu-lhe pegar nestas palavras de Pedro Costa e aplicá-las especificamente à "Nata" que circula em Ponte da Barca. Nessa "nata" incluem-se aqueles que constantemente impõe o seu título de doutor e/ ou o seu estatuto, e estão também muitos senhores que não possuem formação superior, mas que são portadores de uma qualquer "graça" que lhes permite tentar convencer os outros que são portadores da verdade ou do poder. O barqueiro não vai com certeza revelar nomes. Apenas pode dar pistas, apesar de muitos não precisarem delas. Ao barqueiro apeteceu-lhe falar do clube Rotary de Ponte da Barca. Foram os escolhidos apenas por recentemente serem notícia, pelo seu novo presidente. Devido a isto avivou-lhe a memória. Mas não se ralem, pois muitos dos membros desta "nata" podem até não pertencer a este clube. São aqui referidos apenas a título de exemplo. O Rotary tem como propósito da sua existência causas nobres, em que os seus membros, com a suposta estabilidade social e económica que possuem, desenvolvem actividades no campo da solidariedade social, ou noutras áreas, como a premiação do mérito de alguém. Basicamente será assim que o barqueiro e o comum cidadão o poderá definir. No nosso concelho em particular, é neste clube que se podem encontrar alguns do melhores exemplares do que é pertencer à "nata". Encontramos gente ligada à política, que basicamente a usam para o que o comum político português pretende; encontramos gente que é ou já foi portador de um cargo profissional que lhe deu o estatuto de ser o portador da verdade e do poder perante o povo; encontramos uma estirpe de empresários designada de lobbies (para quem não sabe, aqueles empresários que não se sabe onde termina a sua acitividade económica e onde começa o seu envolvimento na política); encontramos a religião Católica à mistura, como não pode faltar numa boa receita à portuguesa; e encontramos ainda muitos à procura de afirmação, não se sabe bem em quê, que o que sabem com toda a certeza é que querem pertencer, perante os olhos dos barquenses,  à "Nata". Não intrepretem mal o barqueiro: o Rotary club não é tudo isto, o que é tudo isto são membros do tal clube, que não quer dizer que sejam todos (apesar de serem, no final de contas, bastantes).

Fora deste clube existem muitos mais. Existem os lobbies clássicos, empresários que vêm (ou quase) desde os tempo da "velha senhora", que têm uma grande quota de responsabilidade da actual situação de fraco progresso do concelho de Ponte da Barca; Existem velhos detentores ou ex-detentores de cargos públicos, do tempo em que no Portugal recondito ser detentor de tal cargo implicava automaticamente, mais do que respeito, o medo do cidadão comum, qual práticas inquiritórias; Exite "malta" que almeja entrar directamente na "nata" pela maior porta, a da política (a má política, diga-se).

Fique-se por aqui, até porque já cansa...

É bom saber que ainda existem barquenses, como o exemplo de Pedro Costa, que reflectem sobre o caminho que a sociedade real segue.

 


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A Fórmula Cultura+Turismo

A Fórmula Cultura+Turismo

 

Se há alguma área em que Ponte da Barca poderia basear o seu progresso essa seria a do Turismo. A velha questão das zonas industriais parece estar definitivamente de parte, por um lado devido à já existência de tais actividades económicas nos concelhos vizinhos, que de certa forma "seca" qualquer potencial que Ponte da Barca poderia ter, e por outro lado porque a indústria é uma actividade económica que na realidade não experimenta força ou desenvolvimento suficiente quando instalada nestas zonas do Alto Minho, talvez devido à geografia, talvez devido à ausência de historial destas zonas como zonas de indústria forte, talvez devido a muitos outros factores que de facto não potenciam a indústria como actividade forte e enraizada nestas zonas. Aposte-se no turismo! O concelho possui tudo o que o que o faz o turista mover-se. O problema é a falta de estratégia, de ideias, quem sabe, das sucessivas gestões autárquicas que têm passado. É que para o turista e o ponto de interesse se encontrarem é necessário proporcionar-se meios desse caminho se fazer cumprir. Alguns desses meios são os eventos culturais, os museus e a história, a hotelaria e as actividades de turismo de Natureza.

Algo, de facto, tem sido feito. Exemplo são as Portas do Parque Nacional Peneda Gerês, o Roteiro da Hidroelectricidade, com centro em Paradamonte, e o Festival de Música Celta. Descoberta da Natureza, museu e roteiros para o conhecimento da História e realização de eventos culturais foram as formas utilizadas para trazer o turista ao seu local de interesse nos projectos/ eventos acima referidos. Apresente-se isto e muito mais, mas sob a forma de um Plano que seja de facto estratégico, que constitua de facto um projecto para o Turismo concelhio, e como actividade central, e poder-se-á iniciar uma boa parte desse progresso tão desejado. O que tem sido feito é na realidade muito pouquinho, mas esse pouquinho tem demonstrado, pelo menos aos mais atentos, que a fórmula do sucesso talvez não seja assim tão difícil de encontrar.

 

 

 


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Domingo, 21 de Junho de 2009
Barquenses votaram Europa... ou não

Barquenses votaram Europa... ou não

 

Não é que com isto o barqueiro esteja a apelidar todos de "ignorantes". Mas de facto foi aquilo que os políticos, ingenuamente ou não, fizeram dos cidadãos em todo o país. A realidade é que uma grande parte dos portugueses, de entre aqueles que foram às urnas, foram e ainda são "euro-ignorantes". As opções de voto eram 12, e encontrar uma dessas opções que falasse da Europa e dos seus assuntos, para elucidarem o eleitor a ir votar para a EUROPA, foi extremamente difícil. De toda a actividade eleitoral dos 11 partidos políticos e 1 movimento pouco tempo foi passado discutindo a Europa, o modelo social, político e económico que para ela pretendiam, e o hot-topic do Tratado de Lisboa.

O barqueiro está certo de que a maioria dos que foram votar não sabe ainda hoje em que opção e visão europeia votou. O barqueiro não votou, atendendo à sua condição de personagem "linguareira" e bloguística, mas de todos os portugueses recenseados votaram menos de 40%. Em Ponte da Barca o resultado da abstenção foi ainda pior, com 68,24%. Como já muita gente disse em uníssono, isto é o reflexo da descrença na política como a conhecemos. O barqueiro entra numa outra perspectiva, e diz que isto mostra também um alheamento preocupante do acto de cidadania em Portugal. Não há lógica em criticar o rumo político, sem nele participar nas eleições. Há que escolher o rumo que se entende melhor, de entre aquelas opções que nos são oferecidas, ou então, se se está num clima de protesto, votar em branco, como muitos portugueses fizeram.

De facto o povo é soberano, e estar a criticar o facto de votarem não na Europa, mas sim nos partidos nos seus contextos nacionais, é de certa forma legítimo, ao contrário do que os bonitos discursos políticos fazem crer. Afinal, foram esses mesmo políticos que criaram a situação da "euro-ignorância".

Em Ponte da Barca o mesmíssimo cenário, com o PSD a conquistar também a vitória, de forma mais esmagadora, o PS num fraco 2º lugar, e também o BE como 3º mais votado, apesar de uma menor percentagem em comparação com a nacional. O facto dos resultado terem apontado para uma vitória clara do partido que não está no poder, nem na autarquia, nem no Governo, reforça provavelmente a mesma ideia do voto "euro-ignorante". Mas já que estas foram umas eleições que todos as forças políticas quiseram fazer nacionais, poder-se-á analisar os resultados de forma mais ou menos fidedigna num contexto nacional: reprovação total do PS, vitória clara do PSD e o mais fraco resultado dos 2 grandes partidos juntos, com muitos votos a cair em forças alternativas. Será que, partindo de quase certo que não se votou na Europa, os resultados também significam qualquer coisa, um "aviso", para o executivo no poder? A maioria absoluta dos laranjas deve ter então assustado Vassalo e seus discípulos. O PSD local e nacional ficou muito reconfortado, mas ainda faltam alguns meses para as eleições, essas sim de carácter local e nacional, pelo que muita politiquice ainda vai correr.

E foi assim o primeiro "treino" eleitoral para os portugueses e para os barquenses, supostamente para votar na Europa, e cujos políticos, e por arrasto a sociedade, quiseram fazer (e conseguiram) de "barómetro" pré-legislativo...


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Certame político-religioso de Ballancourt

Certame político-religioso anual de Ballancourt

 

Como já devem ter reparado, e bem, se leram por exemplo o "Notícias da Barca", decorreu mais uma vez o que o barqueiro poderia chamar de "Certame Político-Religioso Anual de Ballancourt". Foi nos passados dias 23 e 24 de Maio que tudo decorreu com a habitual e infeliz normalidade. E pode-se dizer "infeliz" porque a forma como este evento tem sido noticiado para a população barquense cá residente justifica esse mesmo adjectivo. Basta estar atento ao título e subtítulo do "Notícias da Barca", em que se podia ler "Ballancourt (França) aproxima barquenses - Fanfarra dos BV nas Festas de Nª Sª de Fátima projecta o nome da nossa terra". Lendo o artigo noticioso sobressaía a ideia de que os Bombeiros de Ponte da Barca foram confratenizar com os de Ballancourt, numa festa religiosa popular tipicamente portuguesa numa localidade francesa com uma forte comunidade emigrante do nosso concelho. Pelo meio a breve, e talvez indiscreta (depende das interpretações), referência ao presidente da câmara Vassalo Abreu. Pelo que foi noticiado e pelas muitas fotos divulgadas, podemos ver que também o Padre Belmiro Amorim, de Britelo, e mais algum do staff da câmara municipal, como o vice-presidente, se deslocaram à festa. Analisado que está o destaque dado nesta fonte da imprensa regional à confraternização das corporações de Bombeiros, como se pode ver no título e texto, pode-se fazer uma outra análise: das 32 fotos da notícia divulgada, 3 contavam com a presença dos Bombeiros de Ponte da Barca, e 6 com a presença de Vassalo Abreu com ou sem o seu "staff". Nota-se por isso uma desproporcionalidade de destaque entre o que se escreveu (destaque aos Bombeiros) e o que se fotografou (destaque aos políticos do executivo).

 

 

Vistos os factos, o barqueiro deu-se à liberdade de fazer umas divagações, não confirmando nem desmentindo a hipótese de se estarem a fazer segundas leituras (essas ficam entregues aos leitores).

Primeiro, aquilo que se verificava no século XVIII, que as "diversões" do povo eram basicamente "procissões, touradas e Autos de Fé" (palavras de José Saramago in Memorial do Convento), ainda hoje é incrivelmente válido.

Segundo, o poder político não poderia deixar de escapar a oportunidade de gozar da sua velha aliança com a religião para "alimentar" a alma dos seus fiéis. Daí poder ser visto como "certame político-religioso", ou, por outras palavras, promoção política de mãos dadas com os padres, em nome das Nossas Senhoras.

Terceiro, ficou confirmada a confusão de ideologias que paira no executivo da câmara municipal: a sua, pelo menos aparente, proximidade ao povo roça a esquerda, já que se assumem como membros do PS, vai buscar o provincianismo do seu estilo de gestão ao tempo da Velha Senhora, vai buscar um pouco de fascismo à forma como se insere e tenta conhecer/ controlar a malha político-social de uma terra pequena como Ponte da Barca, e ainda vai buscar um pouco da alma conservadora católica ao CDS-PP, que se bem se lembram, até estão coligados, pelo menos na prática (o fenómeno exotérico de uma aliança PS-CDS).

Quarto, e para finalizar, o "Notícias da Barca" tem-se mostrado um aliado indispensável para quem quer seguir (como é o caso do barqueiro) todas as actividades/ quotidiano da "nata" de Ponte da Barca que se diz de "Socialista" ...


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Domingo, 24 de Maio de 2009
Diácono de Lindoso ajoelha-se a Deus

Diácono de Lindoso ajoelha-se a Deus

 

Depois de outras ordenações de padres do nosso concelho, também aqui comentadas no blog, o barqueiro vem mais uma vez tocar no assunto da situação da Igreja Católica e da política, aliadas desde o nascimento de Portugal, oficial durante o Estado Novo e evidente, ainda que não oficial, no tempo em que vivemos.

O diácono Orlando Carreira, da freguesia de Lindoso, foi ordenado. Logo a população se juntou em torno de tal acontecimento. Em Portugal, a herança religiosa ainda é muito pesada, sendo disso prova os festins que nas freguesias mais do interior se organizam quando um padre é ordenado. O barqueiro não quer com isto dizer que as tradições devam acabar. É no entanto um hábito ou tradição desfasada do tempo actual. Durante a História portuguesa, o padre era o símbolo da população, da sua paróquia. Além das funções religiosas, era muito mais que isso. Era um conselheiro, era aquele que mais e melhor conhecia as pessoas da aldeia. Infelizmente, durante o Estado Novo, era também, pelo menos em alguns casos, o símbolo da opressão, da falta de independência e em última análise, o símbolo da ausência do sentido crítico e intelectual de cada cidadão, como aliás são os fundamentos da Igreja Católica. A razão é o maior inimigo da religião. A Igreja, e as religiões em geral, tal como as conhecemos, tenderão sempre a tornar os seus fiéis em massas acríticas de pessoas, com um dogma em comum. Reflexões à parte, porque o assunto já se está a desviar um pouco do tema inicial, no nosso concelho ainda existe um desfasamento temporal relativamente à influência da Igreja. O poder político lá esteve no convívio do referido padre de Lindoso, como não poderia deixar de ser. À vista das pessoas, os políticos da terra são os mais “santeiros”, ou, pelo menos, tentam mostrar isso. Lá estão eles aos Domingos a celebrar a missa. Infelizmente um requisito do ser político ainda passa muitas vezes por ser católico e invocar o nome de Deus em prol do partido x. Um país laico na sua essência, é algo que Portugal, apesar de 35 anos de democracia, ainda não “cheirou”.

 

 

P.S: É uma “maldade” aquilo que os padres têm que fazer na ordenação, não é?! “Rastejar” aos pés dos superiores…


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